"La Belle Personne" (em português "A Bela Junie") é a longa-metragem mais recente do visionário realizador de "Canções de Amor" e "Em Paris" que explora o amor de todas as formas e feitios na vida parisiense dos nossos dias.
A trama centra-se em Junie, uma rapariga de 16 anos que, após uma semana da morte da sua mãe, muda-se para Paris e é colocada na turma do seu primo Mathias, com quem fica a viver. E logo depois da sua "apresentação", a adolescente começa a criar furor entre os alunos, mas também entre os professores...
A tensão sexual proveniente do aspecto bastante atraente de Junie, com a sua pele branca, o seu cabelo negro, os seus lábios carnudos e olhos profundos, é o objecto com que Honoré brinca de forma metafórica durante todo o filme. Como um dos realizadores de cinema francês mais conceituados de agora, Christophe Honoré começa por mostrar a novata e passa, logo de seguida, à análise dos seus sentimentos perante a morte da sua mãe e à forma como se relaciona com os outros após um acontecimento tão marcante na vida de um ser.
É assim, que ao longo do filme, Junie vai-se tornando em algo diferente, mas esperado, ela revela-se na "mulher-diabo" segundo a Literatura, "a matadora" como o professor de matemática a «classifica» durante uma conversa com Nemours, o professor de italiano, o típico Don Juan, que se apaixona perdidamente pela rapariga. Outra vítima desta faceta de Junie é Otto, um dos seus colegas da turma que se apaixona por ela à primeira vista, sendo assim incluído no filme antológico, um romance ao estilo de Romeu e Julieta. É isto que eu pretendo afirmar quando digo que "La Belle Personne" pode ser resumido em apenas duas palavras "O Amor". Podemos encontrar amor expresso de muitas maneiras diferentes, desde uma dramática e secreta relação amorosa entre dois rapazes até ao amor incontrolável entre um professor e a sua aluna.
Pode-se assim encontrar num grupo de amigos, relações interligadas constantemente relacionadas com termos como «traição», «relação sexual» ou «segredo». "A Bela Junie" está assim de mãos dadas com "o absurdo adolescente do ataque do cupido".
É importante reter a representação hipnotizante e estrondosa de Léa Seydoux que, com Louis Garrel e um restante grupo de actores talentosos, fazem do filme uma obra do cinema francês característica de uma beleza de tal forma estonteante que é impossível não se ficar com os olhos bem cravados no ecrã!
E continua assim o cinema europeu a escandalizar e a atrair os espectadores mais apaixonados.
PARA: Os amantes de cinema europeu e possuidor de uma beleza singular e inexplicável.






