segunda-feira, 10 de maio de 2010

Mais um sucesso de Christophe Honoré

"La Belle Personne" (em português "A Bela Junie") é a longa-metragem mais recente do visionário realizador de "Canções de Amor" e "Em Paris" que explora o amor de todas as formas e feitios na vida parisiense dos nossos dias.
A trama centra-se em Junie, uma rapariga de 16 anos que, após uma semana da morte da sua mãe, muda-se para Paris e é colocada na turma do seu primo Mathias, com quem fica a viver. E logo depois da sua "apresentação", a adolescente começa a criar furor entre os alunos, mas também entre os professores...


A tensão sexual proveniente do aspecto bastante atraente de Junie, com a sua pele branca, o seu cabelo negro, os seus lábios carnudos e olhos profundos, é o objecto com que Honoré brinca de forma metafórica durante todo o filme. Como um dos realizadores de cinema francês mais conceituados de agora, Christophe Honoré começa por mostrar a novata e passa,  logo de seguida, à análise dos seus sentimentos perante a morte da sua mãe e à forma como se relaciona com os outros após um acontecimento tão marcante na vida de um ser.
É assim, que ao longo do filme, Junie vai-se tornando em algo diferente, mas esperado, ela revela-se na "mulher-diabo" segundo a Literatura, "a matadora" como o professor de matemática a «classifica» durante uma conversa com Nemours, o professor de italiano, o típico Don Juan, que se apaixona perdidamente pela rapariga. Outra vítima desta faceta de Junie é Otto, um dos seus colegas da turma que se apaixona por ela à primeira vista, sendo assim incluído no filme antológico, um romance ao estilo de Romeu e Julieta. É isto que eu pretendo afirmar quando digo que "La Belle Personne" pode ser resumido em apenas duas palavras "O Amor". Podemos encontrar amor expresso de muitas maneiras diferentes, desde uma dramática e secreta relação amorosa entre dois rapazes até ao amor incontrolável entre um professor e a sua aluna.


Pode-se assim encontrar num grupo de amigos, relações interligadas constantemente relacionadas com termos como «traição», «relação sexual» ou «segredo». "A Bela Junie" está assim de mãos dadas com "o absurdo adolescente do ataque do cupido".
É importante reter a representação hipnotizante e estrondosa de Léa Seydoux que, com  Louis Garrel e um restante grupo de actores talentosos, fazem do filme uma obra do cinema francês característica de uma beleza de tal forma estonteante que é impossível não se ficar com os olhos bem cravados no ecrã!
E continua assim o cinema europeu a escandalizar e a atrair os espectadores mais apaixonados.

PARA: Os amantes de cinema europeu e possuidor de uma beleza singular e inexplicável.

Os Filmes de Sundance 2010-Cont.

  • Holy Rollers
Baseado em eventos actuais, "Holy Rollers" usa a história incrível de um grupo de judeus chassídicos traficando ecstasy no final dos anos 90 como o pano de fundo para examinar a diferença entre fé e fé "cega".
Sam Gold, um judeu chassídico isolado na extremidade da humanidade, vive frustrado pelas restrições das suas crenças e as más decisões do seu pai. Então, quando lhe é apresentada a oportunidade de ganhar dinheiro traficando ecstasy entre Amesterdão e Nova Iorque, ele aceita cautelosamente - e rapidamente encontra-se seduzido pela fascinação que é o mundo secular. Preso entre a vida como um traficante e o caminho em volta de Deus, a luta de Sam e os seus mundos começa a esclarecer-se.


No papel principal, Jesse Eisenberg (Adventureland) retrata habilmente a luta moral interna de um homem jovem que se encontra dividido entre as opostas culturas e ideologias. 
O realizador Kevin Asch explora o mundo exterior e desigual da comunidade chassídica de Brooklyn e a questão da liberdade em relação à droga e consumo desta em Amesterdão, Holanda, enquanto revela as vidas complexas das suas personagens e a tensa dinâmica entre elas.

Realizado por Kevin Asch
Escrito por Antonia Macia
EUA, 2009, 87 minutos

domingo, 9 de maio de 2010

Marco Martins e o seu Círculo Perfeito

Uma das estreias desta semana é "Como Desenhar um Círculo Perfeito", a segunda longa-metragem do realizador de um dos melhores filmes portugueses dos últimos anos "Alice", Marco Martins.
O filme explora um dos temas mais tabu de todos os tempos, incesto.
Conta a história de dois irmãos gémeos, Guilherme e Sofia, que descobrem a sexualidade de uma forma clautrofóbica e não muito natural, onde a obsessão é uma constante. O filme gera à volta da promessa que em crianças Sofia tinha feito ao irmão (que perderia a virgindade com ele).


Um drama picante e amargurado, feito em tons azuis, preto e branco, símbolo do sofrimento das personagens, onde o realizador desvendou dois jovens actores, promissores de muito talento. Estes são Rafael Morais e Joana Verona, que juntamente com Beatriz Batarda fazem do filme algo mais do que seria inicialmente.
Quanto à relação entre o título e a narrativa em si, Marco Martins explicou ao Correio da Manhã que quando estava a escrever o filme, viu uma imagem de um professor de geometria descritiva em Ottawa, no Canadá, que fazia um círculo perfeito à mão levantada e que achou a imagem fantástica. Acreditando que fazia sentido na história, o realizador afirmou que decidiu ir ao Canadá conhecer aquele professor e ver como se fazia o círculo; o círculo perfeito é então uma metáfora, a metáfora resposta do filme, a sua essência.

Embora ainda não tenha tido o prazer de ver o filme, a impressão que me dá é que estou perante algo mais do que um simples filme português...Vejamos se terá tanto sucesso como "Alice", um drama de suster a respiração.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Relembrar..."Control"

Ian Curtis morreu a 18 de Maio de 1980 e, como fã dos Joy Division, decidi rever "Control" baseado na biografia escrita pela viúva de Ian "Touching from a Distance".


Estar sob controlo...controlo da nossa vida, de todos os seus aspectos- o cônjuge, o filho (a), os amigos, o sucesso pessoal- mas e quando tudo se perde? E quando a vida perde o seu controlo? E quando a mulher se torna "na outra", quando os amigos se tornam na família e quando o êxito de que tanto esperávamos e desejávamos nos tormenta deixando-nos entre a espada e a parede?
Ian Curtis foi uma vítima de exactamente isto. A sua mulher Deborah, pobre criatura levada pelo amor sofreu ao lado de um homem com uma alma algo marcada pela morte, pelo sofrimento. E mais ninguém de mais alguma forma podia ter honrado um músico pioneiro como o realizador holandês Anton Corbijn, que em Cannes em Maio de 2007 chorou Curtis com um filme em preto e branco, objecto de tal beleza e emoção que leva até aqueles que nenhum conhecimento tinham dos Joy Division ou até de Ian Curtis a se informarem e wse apaixonarem pelos seus grandes albúms.
A destacar está Sam Riley, um dos actores mais promessores dos últimos tempos que conseguiu uma grande proeza. Representou Curtis como Curtis merece! A sua hipnótica, suicida, desesperada e aluada personalidade é, durante os 121 minutos da longa-metragem, uma alegria de ver e analisar.


Corbijn é directo e apaixonado tendo, com uma fotografia fantástica, transmitido de forma muito clara a vida de um homem atormentado pela doença, pelos sentimentos confusos, que enfraqueceu e não conseguiu ser forte o suficiente para lidar com o lado desafiador da vida, com o qual se tem de combater. É uma obra exacta, não creio que mais nenhum filme poderia ter elaborado os sentimentos depressivos de Ian ou até a sua alma claustrofóbica dias antes do seu suicídio...
Acredito que Control é um dos filmes biográficos mais belos, sofridos e mais bem conseguidos do cinema britânico dos últimos anos.

PARA: Todos aqueles que queiram testemunhar o nascimento de um actor, honrar uma banda pioneira do pós-punk e assistir ao verdadeiro cinema britânico.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Greenberg

O destaque das estreias desta semana é Greenberg, um filme da autoria de Noah Baumbach, o realizador do fantástico "Lula e a Baleia" e "Margot e o Casamento", que conta a história de Roger Greenberg, interpretado por Ben Stiller, um homem disfuncional e neurótico de 40 anos que está "adormecido" para com a "fantástica emoção" que é a vida.
O plano dele é fazer absolutamente nada e hospedar-se em Los Angeles, em casa do irmão. Enquanto isso, reencontra-se com velhos amigos, o que o deixa ainda mais deprimido, apercebendo-se que o tempo não pára e os seus melhores amigos e companheiros dos tempos do liceu, são agora adultos com carreiras que não têm tempo para voltar atrás e serem os melhores amigos dele, que se depara assim com um presente do qual não estava à espera.
Ele começa entretanto, a partilhar o seu tempo livre com Florence, a assistente do seu irmão que é, tal como ele, uma alma perdida que aspira ter uma carreira de cantora. A partir daqui, o filme torna-se uma possibilidade de os espectadores verem se realmente uma pessoa como Roger Greenberg pode ter encontrado alguém que o faça finalmente definir-se.
Com uma fantástica Greta Gerwig e um realizador com uma abordagem "woddyalonesca", Greenberg é um must-see que nos traz Ben Stiller num dos melhores papéis da sua carreira, segundo a crítica.